HomeGravidezEstudo afirma: excesso de ácido fólico aumenta risco de autismo
excesso de ácido fólico

Estudo afirma: excesso de ácido fólico aumenta risco de autismo

O ácido fólico é a forma sintética da vitamina B9, também conhecida como folato. A vitamina é essencial não apenas para as gestante, mas também para quem está tentando engravidar. A recomendação é começar a tomar o ácido fólico cerca de dois meses antes de começar as tentativas. Toda esta importância está ligada a prevenção de problemas no fechamento do tubo neural do bebê, que forma o sistema nervoso central, e morfológicos, como fenda palatina, lábio leporino e anencefalia – falta parcial ou total do cérebro. Tomado na dosagem correta, a vitamina B9 também auxilia na formação cardíaca e evita o parto prematuro.

Mas sempre há um porém, não é mesmo? Vocês já ouviram aquela célebre frase “tudo o que é demais, faz mal”? Então, pesquisadores da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, nos Estados Unidos, afirmam que o ácido fólico faz parte deste conceito, indicando que o seu excesso durante a gravidez pode estar associado ao aumento dos riscos de autismo nas crianças. Nossa matéria de hoje vai falar mais sobre o estudo, que também serve como um alerta para o consumo inadequado de substâncias aparentemente inofensivas durante a gestação.

excesso de ácido fólico

 

Entenda a relação do excesso de ácido fólico e o risco de autismo

Entre 1998 e 2013, o estudo analisou, o sangue de 1.391 mães em busca dos níveis de ácido fólico logo após o parto, acompanhando as crianças desde então. Em 2016, foi apresentada a conclusão que aponta que as mães de crianças autistas apresentaram níveis quatro vezes mais altos que o normal de ácido fólico no sangue. Vale perceber que o excesso da vitamina apareceu em uma a cada dez participantes.

“O excesso de folato atua em um quadro muito específico, no mecanismo de hipermetilação do DNA do feto, que pode prejudicar o neurodesenvolvimento. O excesso pode prejudicar os genes que fazem a maturação do encéfalo e causar alguma má formação, podendo desenvolver autismo ou autismo parcial” – explicou Antonio Cabral, doutor em obstetrícia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e professor titular de obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Cabral também afirma que “tem de ter predisposição genética e outros fatores. O excesso de folato pode ter uma consequência diferente em outra pessoa”.Ou seja, o autismo não depende somente do excesso de ácido fólico para se desenvolver, diversos fatores muito mais complexos e amplos estão envolvidos neste processo.

Andreas Stravogiannis, psiquiatra e diretor técnico da Associação de Amigos do Autista (AMA), explicou que “tem o fator genético e os fatores ambientais que, junto com os hereditários, podem levar ao quadro”, além de salientar que a doença tem múltiplas causas sendo, na verdade, um transtorno do neurodesenvolvimento.

Problemas no trabalho de parto, parto prematuro, desnutrição da mãe (que afeta a formação do feto), exposição a substâncias tóxicas e químicas durante a gravidez ou do bebê nos primeiros dias e infecções neonatais são alguns dos fatores ambientais que podem estar associados ao desenvolvimento do autismo.

O desenvolvimento de alterações neurológicas, como o autismo, ainda é um mistério muito complexo à comunidade médica, pois os fatores que os influenciam são muito diferentes. Nem toda mãe que passa por estas circunstâncias terão um filho com o transtorno. O psiquiatra também explica que “quando se chega ao diagnóstico de autismo, cabe investigar as possíveis causas, mas, na maioria das vezes, os pacientes não têm evidências suficientes que justifiquem o autismo”.

Integrantes da comunidade médica se pronunciaram contra os resultados na época da divulgação da pesquisa, afirmando, inclusive, que os pesquisadores estavam sendo irresponsáveis por existir a possibilidade de mulheres evitarem de tomar a vitamina, causando maiores consequências. Tornando o assunto, de certa forma, contraditório, pois foi publicado uma pesquisa no  “The Journal of the American Medical Association” que afirma que a ingestão de ácido fólico na gestação também evita a incidência de autismo.

Vale lembrar que o risco está no excesso, e a atenção deve estar na suplementação do ácido fólico, pois a vitamina também está presente em diversos alimentos do dia a dia. A recomendação do consumo ideal da vitamina pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e entidades como a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e o CFM (Conselho Federal de Medicina) é de 0,4 a 0,8 miligramas por dia antes da gravidez e durante os três primeiros meses, fase crucial de formação do bebê.

Porém, vale lembrar que o médico é quem decide a quantidade de ácido fólico que a mulher precisa tomar como complemento, pois exames de sangue e uma boa anamnese são muito importantes neste momento. Uma análise da vida cotidiana e dos hábitos da mulher é essencial antes da tomada desta decisão, pois fazer exercícios intensos e fumar podem diminuir a quantidade da vitamina no organismo.

Ainda é necessário realizar mais pesquisas, o psiquiatra Stravogiannis lembra que o estudo analisou apenas os níveis do folato no pós-parto, e considerou que “o ácido fólico age no primeiro trimestre, principalmente, no tubo neural. Teria de ver se nesse período inicial (as mães) tinham valores elevados”.

Fonte: Exame

 

 

Quer saber mais sobre gravidez e o mundo das tentantes?
Não perca nossas postagens seguindo todas as redes sociais!

FacebookInstagram (@blogtestepositivo) e Pinterest.

 

 

Leia mais

– Importância do ácido fólico para grávidas e tentantes

– O que é Toxoplasmose e como evitar

Compartilhe:
Classifique este artigo

O Teste Positivo é um blog com conteúdo voltado para gestantes e mamães. O blog é uma forma de batermos um papo sobre maternidade, bebês, saúde, bem-estar, decoração, moda e muito mais! Entre em contato com a gente!

redacao@testepositivo.com.br

Sem comentários

Deixe um comentário